Projeto Hipotenusa continua!

Texo: Ricardo Martinelli Fotos: Ricardo Martinelli e Denis Lazzari Skiadaressis Mapas: UPE

Há aproximadamente 20 anos  a UPE explora a serra de Camargos no PETAR à procura de cavernas e abismos. Trata-se de um local de grande importância para o parque pois compreende serras que são responsáveis pela recarga de cavernas como Ouro Grosso e o Sistema Alambari. Neste período, várias cavernas foram descobertas e mapeadas, com destaque para o Abismo da Gurutuva em parceria com o Grupo Trupe Vertical de Campinas e para o remapeamento da Gruta Ouro Grosso, cujo trabalho ainda deve ser retomado.

gurutuvaMapa1: Mapa concluído do Abismo da Gurutuva (SP-36)

Recentemente as explorações em Camargos tomaram um novo impulso: reencontrar e mapear o Abismo da Hipotenusa, cadastrado pelo CEU (Centro Excursionista Universitário da USP) na década de 70. Este abismo nunca teve sua topografia realizada e estima-se que seja um dos maiores desníveis de São Paulo e do Brasil, além de uma caverna de grande desenvolvimento para a média do alto ribeira.

camargos-7

A primeira tentativa para encontrar o cavidade aconteceu em 2014 e consistiu em “navegar” com o GPS usando a coordenada fornecida pelo CNC – Cadastro Nacional de Cavernas da SBE. O acesso ao local pode ser feito basicamente por três trilhas ou “picadas” no mato; o mais longo é a trilha para o Gurutuva, um intermediário que sai da trilha para a Gruta Alambai de Baixo e a mais próxima , parte das proximidades do caminho para a Boca Michel da Ouro Grosso. Nesta ocasião usamos a trilha intermediária e após um cansativo dia e o facão “comendo solto”, finalmente chegamos até a coordenada, porém, nada de caverna. O fato de chegarmos já no final de tarde à região, nos impossibilitou realizar um pente fino e acabamos por desistir. Já esperávamos a dificuldade pelo fato da coordenada ser muito antiga e na época não existir GPS, sendo comum a plotagem diretamente no mapa de superfície, o que na maioria das vezes não possuía precisão mínima.

No final de 2014 voltamos para a serra mas agora com uma nova referência.Na oportunidade foi realizado um track log até uma entrada vertical ao final de um leito seco. Empolgados, rapidamente nos organizamos e em 2015 realizamos duas incursões para o abismo, vencendo um grande desnível, atingimos a marca de -123 metros, e após uma curta galeria, fomos vencidos por um grande desmoronamento, porém com possibilidade de continuação. Este abismo foi batizado de Batráquios, devido a grande quantidade de sapos vivos e mortos nos patamares da caverna.

batraquiosMapa 2: Abismo Batráquios (mapa inconcluso)

Após a pubicação de um breve relato no SBE Notícias (

http://www.cavernas.org.br/sbenoticias/SBENoticias_318.pdf

), diferente do que aconteceu antes dos trabalho de campo, onde os integrantes do CEU não tinham notícias do abismo, fomos avisados que a caverna encontrada não era o Hipotenusa, pois o primeiro lance tinha 60 metros e o Batráquios possui metade disso em sua primeira “cordada”.

hipotenusa-3Foto 2: Abismo Batráquios – 30 metros na primeira “cordada”

Durante os dias 26 e 27 de setembro de 2015, mais uma investida na serra de Camargos.Desta vez munidos apenas de uma mochila leve e muita disposição para prospectar a área à procura de abismos e cavernas. Logo na subida, além de uma pequena cavidade, encontramos uma entrada vertical muito promissora.Armamos uma pequena corda para exploração e nos inclinamos para averiguar o potencial. Caverna cadastrada, fomos morro acima até a Lagoa Grande onde mais uma pequena caverna foi explorada e cadastrada.

Vídeo 1: Entrada do Abismo do Tronco

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Foto 3: Lagoa Grande, alto da serra de Camargos.

Já em São Paulo, estudando as trilhas feitas, os dados do CNC e do CANIE e juntando com alguns pontos que constavam em um estudo realizado para a elaboração do plano de manejo do PETAR em 2010, observamos que tanto o Batráquios quanto o Abismo do Tronco constavam do relatório do PETAR e não do CNC, porém nenhuma delas possuía mapa ou sequer exploração, as outras cavernas descobertas não eram conhecidas. Realizadas as correções e cadastramentos no CNC, acreditamos que estamos contribuindo de forma efetiva para o melhor entendimento da serra de Camargos e seu carste. Novas investidas deverão ser marcadas para mapear os abismos já localizados e também reencontrar o Hipotenusa. Não desistimos tão facilmente!

camargos_mapa

Mapa3: Caminhos já percorridos na serra de Camargos

3 comentários sobre “Projeto Hipotenusa continua!

  1. Colegas,que bom que esta região voltou a ser pesquisada de forma sistemática.Com certeza tem muitas boas novas a serem descobertas por aí.O Vale do Alambari e Serra dos Camargo foi a primeira região do PETAR prospectada de forma sistemática pelo CEU,na década de 1970.Levantamos na época um grande conjunto de sumidouros e ressurgências (tendo por base os famosos mapas do DAEE,1:10.000 e informações dos moradores locais).Dentre as importantes descobertas da época estão a Galeria do CEU na Cav Alambari de Cima,a re-descoberta do Ab Gurutuva(Já explorado em seu primeiro lance,80m, pelo M.Le Bret) ,ampliando muito seu desenvolvimento e desnivel e onde encontramos pela primeira vez bagres cegos fora dos sistemas Areias-Bombas.Tambem exploramos o abismo da Lagoa Grande(próximo a ela) e descobrimos a Gruta da Hipotenusa(Este nome eu dei para diferenciar o nome dito por mateiro local:Gruta do Cateto,obviamente o animal…rs) já que havia outras grutas e abismos do cateto na região,quando estes animais ainda eram abundantes e muito caçados.Vou procurar dados destas grutas nas minhas anotações antigas.Se encontrar algo passo para vocês.Abraços e ótimas cavernadas por lá.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Clayton, fantásticas suas informações, quando iniciamos a busca pelo Hipotenusa entramos em contato com integrantes do CEU mas não conseguimos muitas informações, acreditamos que se os dados que constam no CNC se confirmarem, esta caverna será uma das mais importantes do PETAR. O problema é reencontrar a caverna. Outro ponto interessante é referente ao “Abismo da Lagoa Grande”( SP_131) que você cita, apesar desta coordenada que consta no CNC ficar muito longe da lagoa, é possível que seja a mesma caverna que foi identificada em 2010 no Plano de Manejo do PETAR (Abismo do Teves) e a mesma que fomos agora (Abismo Batráquios). Que acha?
      Abraço e obrigado pelo comentário.

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      1. Se o abismo for bem perto da Lagoa é possivel sim que seja o mesmo.Como faz muito tempo não me lembro bem de como era seu interior.Neste FDS vou tentar achar algo da Hipotenusa nos meus Alfarrábios…Abs

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