Tu és o MDC, Mambai!

Texto e imagens: Ricardo Martinelli

Toda expedição tem uma trilha sonora, principalmente quando enfrentamos 15, 16 horas de estrada, e também quando chegamos ao carro, depois de um dia inteiro nas entranhas da terra, tiramos o macacão e colocamos uma música. As melodias ficam guardadas na memória e cada grupo tem suas preferências; tá, tá bom sei que esta fora de moda, mas nossas trilhas sempre foram regadas ao bom e velho “Rock and Roll”, aliás a espeleologia sempre será ROCK AND ROLL!

Este ano muitas músicas passaram por nossos “amplificadores”, porém o mestre “Rauzito” dominou a parada! Logo nos primeiros dias quando re-cadastramos e mapeamos algumas grutas do córrego São Vidal ele estava sempre na nossa cabeça, encontramos um novo abismo e tomamos algumas picadas de abelha na boca da gruta São Vidal 3. As cavernas desta região bem que poderiam passar o “Metro linha 743”, aquela dos comedores de cabeça de gente que pensa, dutos de calcário curtos e dois abrigos, a exceção fica para a maior caverna, a São Vidal 4, que é fóssil e possui maior desenvolvimento.

Foto 1: Abrigo São Vidal 2Caverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

 

Foto 2: Gruta São Vidal 4Caverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

Não sabíamos se aquele pasto que estávamos atravessando era ou não “Capim Guiné”, mas o fato é que no terceiro dia nosso objetivo foi continuar as explorações na região conhecida como Fazenda Extrema, distante 1 km do complexo Dores – Tarimba – Pasto de Vacas, esta nova área de trabalho tem como caverna principal a “Nova Esperança” e ao seu redor as recém descobertas “Matadero” e “Árvore”. Iniciamos o mapeamento da Nova Esperança e evoluímos até uma bela claraboia pela qual conseguimos sair, no dia seguinte atacamos a gruta Matadero na esperança de encontrar o conduto do rio e chegar até a dolina onde suas águas saem da Nova Esperança, depois de muito conduto baixo, quase gritando “S.O.S.”, chegamos a entrada.

Foto 3: Gruta MataderoCaverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

Como quem entra nas “Minas do Rei Salomão”, o quinto dia foi de ralação na tentativa de conectar as cavernas. Entramos na Gruta Matadero para rastejar em um teto baixo longo, porém depois de 60 metros o conduto se torna intransponível, não desanimamos, saímos e entramos na Árvore, chegamos ao conduto do rio e puxamos a trena até o conduto terminar em um buraco, frustrante ver o rio “engrunando”!

Foto 4: Gruta MataderoCaverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

A conexão das cavernas a cada investida fica mais próxima, somente o trabalho sistemático e persistente pode responder nossas perguntas, não queremos saber “o segredo do universo”, somente se existe uma passagem entre as cavernas, chegaremos lá, ou como o mestre recomenda: “Tente outra vez”!

Após digitar os dados da gruta Matadero, ficamos impressionados com sua morfologia, a grande galeria fóssil se sobrepõe o conduto do rio que faz uma enorme parábola terminando praticamente no ponto de início. A gruta possui hoje 1640 metros de linha de trena, possuindo ainda muitas galerias a serem exploradas.

matadero

mataderoperf

A Gruta da Árvore ficou apenas a 18 metros de distância da Gruta Nova Esperança, pena que soubemos disso somente aqui em São Paulo, depois de analisar os dados e plotar as informações no Google Earth. Devemos agora intervir pela Nova Esperança e tentar encontrar “onde” esta água aparece na gruta.

arvore

A expedição terminou no dia 15 de julho com 5 cavernas e dois abrigos novos no córrego São Vidal, sendo que 3 delas topografamos por completo, uma das cavernas novas tem entrada vertical, a qual não exploramos desta vez. Somando a linha de trena de todas as cavernas visitadas, incluindo o início do mapeamento da Nova Esperança e as galerias anexadas às cavernas Matadero e Árvore,  chegamos a incríveis 1840 metros de topografia, nada mal para uma equipe de 3 espeleólogos paulistas perdidos em Goiás! “Como vovó já dizia , quem não tem visão bate a cara contra o muro!”

Foto 5: Gruta São Vidal 4Caverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

A exploração de cavernas tão inóspitas e difíceis, apertadas, com teto baixo exige a formação de uma verdadeira “Sociedade Alternativa” para as investidas, a cada ano ficamos com equipes mais restritas e pouco dispostas a voltar sempre para a mesma região, seguiremos em frente com nosso “sonho que se sonha junto”, pois “sonho que se sonha junto é realidade!”

Foto 6: Equipe de topografia e exploraçãoCaverna Janelão - Minas Gerais - Vale do Peruaçu

Para ver os 5 episódios da expedição acesse os links abaixo:

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3

Episódio 4

Episódio final

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