Ouro Grosso – O último Garrafão

Texto e imagens: Ricardo Martinelli

Durante o final de semana do dia 22 de outubro de 2018, a UPE esteve mais uma vez nos abismos da Ouro Grosso para continuar o remapeamento da caverna. O objetivo desta vez foi acessar a Boca Michel, avançar pelo conduto fóssil superior e mapear uma via que se localiza no sentido “sudoeste”, em direção ao primeiro garrafão e proceder a ligação da topografia com a galeria do rio.

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Mapa de 1973 realizado pelo CEU (Fonte: SBE)

 

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Mais uma vez ficamos hospedados no “rancho do Denis”, sócio da UPE que gentilmente nos acolhe durante as investidas na região, e a melhor parte é que  estamos a poucos metros do início da trilha que leva à porção superior da caverna. Mochilas prontas, equipamento de vertical arrumado, cordas distribuídas, autorização entregue na portaria do núcleo e iniciamos a subida até o caixão, descida clássica para quem vai realizar a travessia. Normalmente este trecho não oferece grande dificuldade e a trilha é bem demarcada, dali é preciso conhecer o ponto de subida para o “campo de lapiás”, caminho sujo, arvores caídas e muito lapiá pontiagudo tornam o trajeto um pouco difícil para os menos experientes.

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Chegando à Boca Michel, foi necessário abrir o acesso até o rio e finalmente parar um pouco para fazer um lanche antes de entrar na caverna. O sumidouro da gruta Ouro Grosso é uma imagem ímpar dentre as grutas do Vale do Ribeira, seu pórtico é imponente, as cachoeiras que se entregam ao forte desnível tem lá sua graça, cercada por uma vegetação exuberante. Mesmo com 110 metros de cordas nas mochilas, percorremos toda a trilha em menos de duas horas, muito também pelo clima ameno e sem chuvas, contando também com o conhecimento da trilha pelos integrantes da empreitada.

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Final de conduto, localizada a base da topografia anterior, agora é para baixo! Muita lama e piso extremamente escorregadio na borda de abismos fez todos ficarem muito atentos. Localizamos ancoragens antigas em ótimas condições e descemos um primeiro lance de 17 metros até um patamar bem definido, dali mais 12 metros para um garrafão que se fecha ao fundo e sai lateralmente em um lance já mapeado. O patamar se projeta para sudoeste e chega até outro lance de 8 metros que foi equipado e explorado apenas.

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Infelizmente por problemas logísticos (ficamos sem chapeletas), interrompemos as explorações no topo de mais um lance, este sim com potencial para chegar bem perto da base pretendida, marcando na trena laser cerca de 32 metros. Durante a  volta foi realizada a topografia do conduto e dos lances verticais e saímos da gruta depois de 7 horas de trabalho. Contando com o tempo perdido na trilha, foram quase 11 horas de atividade.

Dados da Topografia

Survex 1.2.36
Copyright © 1990-2018 Olly Betts

Topografia contém 16 bases, unidas por 15 visadas.
Há 0 loops.
Desenvolvimento linear das visadas = 86.85m ( 86.85m corrigidos)
Desenvolvimento horizontal das visadas = 51.49m
Desenvolvimento vertical das visadas = 54.73m
Desnível = 35.38m (de 8r.bm19u a 15.32m a 8r.4 a -20.06m)
Extensão Norte-Sul = 14.31m (de 8r.4 a 7.33m a 8r.7 a -6.98m)
Extensão Leste-Oeste = 22.35m (de 8r.9 a 8.23m a 8r.6 a -14.13m)
5 1-nodos.
9 2-nodos.
1 3-nodo.
1 4-nodo.

Planta

planta

 

Perfil Retificado

perf

 

_DSF9923p

O trabalho ainda não terminou, mas esta “quase”, agora é tratar os dados e anexar mais este pedacinho do grande quebra-cabeças que é a Gruta Ouro Grosso.

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FIM!

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